terça-feira, 28 de julho de 2009

V SEMCINE

Lilia Rezende, Marcia Pereira, Marilu Dantas, Cristiane Britto, Geraldo Seara, Elzeni Bahia, Peterson Azevedo, Joalva Moraes, Claudia Pessoa, Marcia Barros, Lucia Marsal, Marcus Leone, Armando Castro, Dora Almeida, Nildson Veloso, Geize Gonçalves e Carlos Barros.Realizado no Teatro Castro Alves, de 27 de julho a 1º de agosto/2009, o V Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual trouxe a Salvador, para juntar-se aos talentos locais, grandes nomes ligados à literatura, às novas tecnologias, ao teatro, ao vídeo e ao cinema. Foram 6 dias de muita informação, muitas mostras de filmes e muitos debates.

As mesas redondas, num total de seis, foram pensadas para que as discussões fossem as mais amplas possíveis, mas, na prática, os atrasos e, por conta disso, o tempo destinado às manifestações da platéia, não foram tão ricas quanto poderiam ter sido.

Os temas das mesas foram os seguintes:

I - Godard: cinema e poesia;
II - Quando o cinema é arte;
III - O futuro do cinema;
IV - O oriente cinematográfico;
V - Pensar o cinema;
VI - A insustentável leveza dos muros, cinema e política.

Educadores da TV AT.

Por ser este o ano da França no Brasil, a primeira projeção foi a do filme Histórias do Cinema, seguida da primeira mesa, que discutiu sobre a genialidade de Godard,

que mesmo sendo o mais pessimista dos cineastas contemporâneos, revela-se como o maior guia para os futuros operários do que hoje chamamos de audiovisual. Cineasta ortodoxo, Jean-Luc Godard acredita na chegada messiânica de um novo modo de entender o mundo: a imagem como linguagem. Ainda moramos sob o poder de Gutemberg, não se cansa de repetir (...) .

Assim é que, segundo Walter Lima, o foco do seminário, seria o de reeducar o olhar e estimular a sensibilidade das pessoas para com a sétima arte.

Como educadores da TV Anísio Teixeira, mergulhamos naquele universo, ora aprendizes, ora críticos e ora alienígenas, ante um certo estranhamento diante de algumas das peças audiovisuais exibidas, além das performances que se sucediam ao vivo. Esse estranhamento, pode ter sido provocado tanto pela preferência estética do diretor, quanto pelas questões culturais, já que assistimos a produções de várias partes do planeta, incluindo as de Bollywood.

Confirmamos, que nosso aprendizado, ainda que sucinto, das oficinas das quais temos participado, como parte de nossa formação em audiovisual, tem nos dado ferramentas para análise fílmica, o que é bastante útil para nosso trabalho na TV AT.

As demais mesas seguiram abordando a arte, o cinema e seu futuro, de vários ângulos, além da política, sendo esta última bastante pensada, sobretudo ante a burocracia, embargos e coisas tais.

Sem dúvida, lucramos todos com este Semcine e ansiamos por outras oportunidades de ver o que pensam e como fazem cineastas e videomakers daqui e de outros mundos.



Geraldo Seara e Marcus Leone.

MAIS DE GERALDO:
Petnografia
Homo Audiovisualis
Inspirado pelo Bahia Assim
A quem interessar possa
Gravação de Anônimos: O sorriso de Seu Antônio (txt + vídeo)
Fé Cênica, making of (vídeo)
Curso de apresentação para tv (vídeo)
Pré-produção em Ilha de Maré (vídeo)
Participação no documentário OMNIBUS (vídeo)

MAIS DE MARCUS:
Das Campanhas Educativas
Pés livres
Não Afaste Quem Se Ama (vídeo premiado)
Documentário Omnibus - Universo em Movimento

terça-feira, 21 de julho de 2009

QUESTÃO DE ORDEM

Carlos Barros.
O que é uma sala de aula?

A questão, com sua aparência simples e até non sense revela um debate preciso (por que necessário) e impreciso (por que inconcluso).

A sala de aula nasce no contexto medieval como uma nova forma de agrupamento para o aprendizado, em contraste aos modelos das Academias Clássicas. No modelo clássico, em que a discussão e a dialética eram proeminentes, os discípulos estavam vinculados aos mestres por laços profundos de pedagogia (a arte/ciência de conduzir). As vidas estavam entrelaçadas pela filia e pela responsabilidade cotidiana do mestre de apontar caminhos para os efebos (normalmente do sexo masculino).

Na sala de aula, os docentes – ligados em maior ou menor grau ao clero – apresentam aos seus alunos (ainda rapazes) conhecimentos sobre o mundo, sobre a vida, sobre tudo, sem estarem imersos no contexto diário e total dos indivíduos a quem ensinam.

Desta sucessão entre Ágora e sala de aula, nasce a Escola Moderna no ocidente. Nela, um laboratório se constroi no sentido de fazer experimentar-se a vida através de saberes considerados necessários para o chamado “bem comum”.
Sem mergulhar na questão de validade da noção acima enunciada, o coletivo que se expressa neste comum espera da escola que ela possa preparar os indivíduos para a existência na “civilização”.
Escolar é civilizar.
Os tempos passam, as meninas podem estar na escola, o ocidente se esprai, o mundo muda e a escola passa a figurar como lócus do questionamento de si mesma.
A cultura prova que sua validade se põe em cheque quando não consegue responder ao civilizar local, à necessidade de experimentar com os indivíduos construções que se coloquem à disposição do agora, do aqui, do logo adiante. A escola e a sala de aula se colocam diante da premência de ampliação; seus limites se mostram restritos diante da lua, da nave, da fome e da miséria humanas.
A escola e a sala de aula são forçadas a sair das paredes e ganham os ares. O avião sobrevoa o espaço das ondas que buscam atingir o que a sala não contém: o voo dos indivíduos, as asas de gente que ganha corpo, mas não realiza o pretenso caráter “civilizador” da escola.

A escola busca na energia/matéria eletro-magnética do rádio e da TV chegar aos corações/mentes e fazer a “civilidade” – no seu mais prático sentido – se efetivar.

A escola na TV não é a TV da escola.

A escola na TV é uma possibilidade de estarmos recuperando a penetração de um instituto que se desinstituiu, se desfez, se relativizou tanto a ponto de perder-se na sua identidade perdida...
A escola na TV é uma possibilidade, uma potencialidade, pensada como portal de saberes.

Quem há de saber?

A escola na TV há de fazer saberes se construírem, como numa ampla sala de aula em que individualidades e sujeitos possam comunicar anseios e apreciar reflexivamente conteúdos em que valores destes próprios sujeitos estejam contidos?

À escola cabe ampliar e à escola cabe preservar.

À escola na TV cabe ampliar, preservar e difundir.

Santa Clara que nos valha.

Sabe mesmo o que são elétrons na tela e sujeitos em ação?

Uma sala de aula!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A REALIDADE E A FICÇÃO

Nildson B. Veloso. Foto: Peterson Azevedo.
Às vezes ficamos a pensar como uma determinada personagem pode ser tão maquiavélica dentro de uma obra ficcional. Será que ela se mostraria assim dentro de uma realidade? Difícil responder a isso. Pois, somos constituídos de diversas formas de pensares que sinceramente não me surpreenderia se alguns de nós tivessem atitudes que nos deixassem tontos naquele momento.

A obra de Nelson Rodrigues já foi acusada de nos mostrar uma realidade grotesca e exagerada do ser humano. Se considerarmos que a arte imita a vida, logo veríamos o quão somos torpes e cruéis dentro de alguns universos dramatúrgicos. Logo então nos indignamos com nós mesmos. Como eu seria capaz de cometer esse ou aquele ato com o meu próximo?! Exclamariam alguns. Será que a ficção tem o direito de expor as nossas mazelas?

A ficção para alguns foi criada para nos transportar da nossa realidade, para que possamos sonhar com as utopias. Para outros não, a ficção existe para que possamos refletir as nossas vidas e os nossos atos e tentar de alguma maneira melhora-los ao reconhecê-los.

O fato é que estas formas existem para que nós as vivenciemos conforme as nossas histórias de vida e convicções. Portanto, a ficção cumpre o seu papel quando nos faz pensar de alguma maneira naquilo que estamos prestando atenção. Ela nos prende sempre, mesmo que no primeiro momento pareça menos interessante para nós. Ela sempre levará alguma vantagem em relação à realidade, pois, poderemos nos desligar da ficção a qualquer momento, enquanto que a realidade dura, cruel, boa, feliz, triste etc, não terá esta possibilidade de abandono.

Muito interessante seria viver a ficção durante a maior parte da vida não é mesmo? Poderíamos recriar uma realidade que as nossas convicções indicassem, e provavelmente iríamos ser muito mais felizes, mesmo sendo esta realidade uma ficção. Mas, e daí? O que as difere está justamente no nosso ponto de vista.

Nildson B. Veloso.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

MUDEI O ROTEIRO

A roteirista Iara Sydenstricker e a professora Cristiane Britto.O que é um roteiro??? Como fazê-lo? Como pensar uma história para ser contada no audiovisual? Antes disso, meu pensamento era só os substantivos, verbos, poesias, construção de parágrafos, tecnologia... E os dias se passavam assim, até chegar a primeira Oficina da TV Anísio Teixeira.

Olhando uma foto, feita em close, lá estava minha mão, nela uma caneta, um texto numa folha de ofício e com a minha letra escrito “argumento e roteiro”. A foto para quem olha não diz absolutamente nada. Por trás da foto, há um mundo de informações.

Um dia, chega em nossa sala uma mulher alta, branca, olhos claros, sobrenome estranho. Foi-nos apresentada a roteirista Iara Sydenstricker. Chegou perguntando sobre nós. Quem éramos, mesmo, nós? Professores. No nosso roteiro, o papel principal era ser professor. Cada um sabia bem o roteiro da aula, da sala, da escola. Ela chegou perguntando o que era que nós queríamos neste projeto, e foi anotando sobre cada um de nós, nossos nomes, nosso anseios, para, quem sabe, um futuro roteiro de programa.

Começava naquele momento a segunda mudança de roteiro: “sai da escola” , “entra na TV AT”, “corta para oficina de roteiro”, “sobem os créditos..." e com vocês, cenas dos próximos capítulos.

Da caixa de roteiro foram saindo Na Lata, Anônimos, Inventus, Bahia Assim, Aqui é Massa, Realize, ArteFatos... Nossas ideias ganhavam corpo, forma, tempo, espaço. As ideias tornaram-se palavras, cenas. Fazer e refazer. E novamente fazer e refazer. Exercitar o desapego à criação. Exercitar a criatividade, a criação, a paciência, a resistência. Ouvir que o que foi feito não ficou bom e tentar fazer melhor: lições daquela mulher com sobrenome estranho e sorriso largo. E saber o que é escaleta, o tempo que as coisas ocupam numa televisão, que nem toda idéia é audiovisual.

Finda a oficina de roteiros, já não éramos mais os mesmos. Queríamos criar mais e mais. Saber os nomes das coisas da televisão. Já não nos bastavam as aulas, as salas, o quadro-negro. Queríamos criar histórias para serem contadas, documentar o mundo, sugerir lugares. Enfim, roteirizar.

E quanto a mim, vi meu roteiro completamente mudado. Substantivos e planos, verbos e enquadramentos, poesias e escaletas, parágrafos e argumentos....

Sobem os créditos:
IARA SYDENSTRICKER


Cristiane Britto.


Mais de Cristiane:
I Encontro Pedagógico
Mudei o roteiro
Gravação do Bahia Assim
Oi nois na fita

quarta-feira, 17 de junho de 2009

DAS CAMPANHAS EDUCATIVAS

Marcus Leone.







Um dia
Homens, mulheres e crianças
Sonhos...

TV AT

Atenção, atenção!
Criatividade, informação
Beleza, alegria, educação,
Tudo isso a preços módicos.

TV AT

Aqui, o preço é o desejo de aprender
A criatividade, emana do ser
A melhor estratégia de marketing
É ESTAR INTEIRO NO QUE SE FAZ.

VER TV AT

TE VER, SE VER

TV AT

SE VER, TE VER

TV AT


Marcus Leone.

MAIS DE MARCUS:
Das Campanhas Educativas (poema)
Pés livres (visita à TVE)
Não Afaste Quem Se Ama (vídeo premiado)
Documentário Omnibus - Universo em Movimento

terça-feira, 16 de junho de 2009

OFICINA DE INTERPRETAÇÃO

Viviane Paraguaçu.A importância das Artes Cênicas na educação

Como parte do processo de formação destinado a nós professores selecionados para atuar no projeto da TV Anísio Teixeira, constava uma Oficina de Teatro, que foi divinamente ministrada pelo ator/professor Marcelo Praddo.

Mesmo já tendo formação na área e apesar de não estar atuando como atriz há algum tempo, fiquei muito interessada e empolgada, afinal, fazer teatro é maravilhoso!

O teatro atua no processo educativo, trazendo vários benefícios, tais como desinibição, integração de equipes, consciência corporal e vocal, atua para melhorar a dicção e articulação de palavras, sendo, assim, de grande valia para os profissionais que atuam com a voz, o gesto e o corpo, como professores, advogados, médicos, jornalistas, enfim, para todas as pessoas de todas as idades, e isto já tem comprovação científica.

Trabalhar com um grupo não é fácil, principalmente num mundo competitivo e individualista em que vivemos. Não somos estimulados, na família e na escola, a sermos mais atentos a sinais gestuais e corporais, a nos preocuparmos com o “outro”, com os seus sentimentos, emoções e desejos; costumamos olhar mais para nosso próprio umbigo e somos estimulados a isto o tempo todo. Vestibular, concorrência no ambiente de trabalho, sede de sucesso e ambição desmedida pode levar-nos ao século da “barbárie”, como diz a estudiosa Sonia Kramer em seu ensaio Infância, cultura contemporânea e educação contra a barbárie (revista da Faculdade de Educação da UERJ, ano 1. pag.135-46 jul/dez 2000). No texto, ela discorre sobre a importância da arte na luta por uma educação contra a barbárie, na qual estamos vivendo.

O Teatro apesar de ter seus próprios conteúdos específicos, sendo uma arte milenar, presta-se de forma já bastante utilizada a objetivos pedagógicos. Muitas escolas - inclusive da rede estadual -, têm obtido mais empenho, dedicação e resultados escolares (notas, comportamento mais adequado ao ambiente escolar, etc.) ao utilizarem Oficinas de Teatro no currículo escolar.

Geraldo Seara, Viviane Paraguaçu, Joalva Moraes, Marcus Leone, Marcelo Praddo, Peterson Azevedo, Nildson Veloso, Cristiane Britto, Armando Castro e Geize, após leitura dramática.Para nós professores, fazer teatro, além de tudo isto, é um enorme prazer. O teatro diverte, aumenta a auto estima e estimula a criatividade. Por todos os motivos expostos até aqui e, principalmente, por trabalhar em um grupo tão unido, dedicado e criativo é que foi muito bom ter participado desta oficina. Vamos fazer teatro!

Três Vivas a Dioniso o Deus do Teatro!!! Viva, viva,viva!!!

Viviane Paraguaçu
Educadora, atriz e diretora teatral.

TELETEATRO: O RETORNO

Nildson B. Veloso.Um dos fatos que marcaram minha infância foi o de ter visto, pela primeira vez, uma cena de novela, lá pelos anos 70. Em tal cena, havia uma menininha numa cadeira de rodas com aquele ar de sofrimento. Me senti muito triste ao vê-la naquela cadeira. A novela era Fogo Sobre Terra e a atriz era Rosana Garcia.

Anos depois, descobri que aquela situação era tudo de faz-de-conta. Fiquei muito confuso, pois como uma pessoa conseguia fingir tão bem? Ainda mais uma criança! Minha mãe então me explicou que aquilo era novela e que era tudo de mentirinha. Até então eu pensava, lá com minha cabeça de infante, que o nome “novela” se referia ao horário “nove”. E foi desde então que comecei a gostar daquelas mentiras que contavam pra gente na televisão. Aquilo era muito bom!

Bem mais tarde, já na minha adolescência, passei a cultuar o gosto pelo fazer aquela “mentira permitida” e, mesmo sem ter alguém na família com algum passado na área, comecei a pensar que era aquilo que queria fazer: Teatro! A imagem daquela menininha (Vivi) não me saía mais da cabeça. Caso pensado, decidi estudar teatro com o intuito de fazer aquilo que eu via todas as noites em minha casa.

Ainda na faculdade, comecei a pesquisar sobre a interpretação televisiva e então cheguei até o teleteatro. Maravilha! Era tudo que eu procurava: o fazer televisão com a linguagem teatral. Passada a euforia, percebi que o teleteatro era uma expressão artística praticamente morta. Não se tinha mais notícia no país desse fazer.

Mas como as coisas ganham força quando elas têm que acontecer, então, eis-me aqui, trabalhando na TV Anísio Teixeira, coordenando o programa Teleteatro, numa retomada do hibridismo teatro-televisão, que nos proporcionará um retorno a essa indispensável e interessante forma de contar histórias.

Nildon B. Veloso.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

OS MOSQUETEIROS DA TV

Educadores da TV AT. Arte: Geize Oliveira. Clique para ampliar.A TV Anísio Teixeira reuniu vinte professores da rede para cumprir uma missão. Que responsabilidade! Fomos selecionados e, agora, estamos aqui. No início, desconhecíamos, ao certo, os nossos objetivos, mas vontade e determinação não nos faltaram. Definimos nossas diretrizes como educadores desta TV pública, aprendemos importantes conteúdos nas oficinas e seminários de roteiro, de produção, de introdução à comunicação e ao jornalismo. Acima de tudo, formamos uma equipe.

Pensando numa TV educacional a serviço da rede pública de ensino do nosso Estado, começamos a idealizar programas que fossem úteis ao processo de ensino e aprendizagem, além de reiterar a função do Instituto Anísio Teixeira – IAT, relacionada com a formação dos nossos professores, por meio da experimentação, inovação e pesquisa.

Tomando como base conceitos da Arte-educação, discutimos o lastro pedagógico dos programas, sem separar conteúdo de forma. Buscando conhecer as linguagens e códigos que compõem o discurso audiovisual, surgiram duas idéias que foram desenvolvidas nos programas-piloto, os quais juntamente com o projeto da TV AT irão formar nosso portfólio.

O Almanaque Viramundo é uma revista eletrônica inspirada nos velhos almanaques que apresentam muitas informações, além de curiosidades e diversão. Entendemos nosso Almanaque como um programa de variedades que propõe reflexões e discussões sobre música, literatura, teatro, cinema, dança, e demais manifestações artísticas. O mesmo também apresenta cidadãos interessantes, comuns ao cotidiano socioescolar; ilustra momentos do desenvolvimento das ciências no mundo; leva o telespectador para lugares inusitados, fora do circuito do turismo comercial; mostra uma Bahia diversa, única, longe do que é mostrada no mercado midiático; revela ações sociais voluntárias desenvolvida pela comunidade escolar ou ONG´s. Enfim, muitos pedaços compondo uma única peça, o Almanaque Viramundo é uma verdadeira colcha de retalhos bem estampados e coloridos, com a cara da Bahia.

O outro programa é o jornalístico Máquina de Democracia. A primeira intenção foi unir os princípios educacionais ao processo comunicativo, fazendo alusão às máquinas da comunicação. As vinhetas trazem imagens e intervenções sonoras que remetem a essas máquinas. De acordo com o patrono da TV, Anísio Teixeira, “só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a escola pública”.

O Máquina de Democracia conta com três editorias interligadas: educação, cultura e ciência. O objetivo da produção é levar jornalismo especializado em Educação para a Rede Pública de Ensino da Bahia, estabelecendo pontes entre o ensino superior e o ensino básico, por meio de entrevistas com especialistas; popularizando as ciências na Rede e colaborando para que a comunidade escolar tenha conhecimento de produções artísticas e culturais.

Mas a grade de programação da TV AT não fica por aí. Idealizamos programas que mostram as manifestações artísticas da Bahia, das tradicionais até as mais recentes, que discutem questões sobre sexualidade, contando com a participação de alunos da Rede e apresentam sessões de teleteatro. Também são contemplados temas como direitos humanos, tolerância religiosa e respeito às diversidades (étnico-racial, de gênero, de orientação sexual), os medos infantis, biografias de educadores brasileiros, mitos africanos, Educação a Distância ...

Além de atuar na concepção dos programas, ainda temos o compromisso de conhecer a produção dos nossos parceiros estratégicos, como TVE/ IRDEB, TV Escola/ MEC, TV Brasil, TV Paulo Freire, TV UEFS, TV UFBA, TV UNEB, etc. Em resumo, a TV Anísio Teixeira é uma iniciativa pioneira, concebida por educadores, artistas, comunicadores e técnicos e dedicada a toda comunidade escolar. Para chegar até aqui, tivemos que lutar um por todos e TODOS PELA EDUCAÇÃO.

Jô Moraes.

Mais de Jô:

INSPIRADO PELO "BAHIA ASSIM"

Geraldo Seara.O SUBÚRBIO DO "BAHIA ASSIM"

O que foi felicidade
Me mata agora de saudade
Velhos tempos...
Belos dias!
(Roberto e Erasmo)

Eu me lembro com saudade...

Um dos meus sonhos era andar de trem. Costumava vê-los na televisão Telefunken, quando eu era televizinho de alguém, e era inevitável inserir, na trilha do meu pensamento, o som do trem-de-ferro, quando este ia pra Pernambuco, fazendo vuco-vuco, até chegar no Ceará. E alimentava o sonho de andar num, qualquer dia... Nem sabia que o "progresso" tinha planos de arquivar locomotivas e estradas de ferro, ante a chegada das rodas de borracha.

Lá onde eu nasci - dizem! - tem gente fugida até hoje, desde o dia em que, num início de noite, luzes foram avistadas na estrada de terra batida, se aproximando do arraial. Foi gente pra tudo quanto é lado! Os corajosos que sobraram - dos quais devo ser um descendente - elucidaram o mistério: era um Ford bigode anunciando que o progresso estava chegando e, com ele, os inserts no meu sonho: consegui andar de marinete, de jeep e de rural. Trem mesmo, só o das 11, no alto-falante da praça.

Um dia, já na Bahia - era assim que chamávamos a capital - num dia de feira, um furdunço só: feirantes correndo pra retirar, apressadamente, os tabuleiros da rua, ao som de uma buzina grave, forte e bem alta. Tabuleiros já de um lado e de outro e ali, bem no meio, surgiu majestoso, e passando, um trem! Uau! Um trem!!! Parecia vindo do além, pois do nada surgiu. De onde veio mesmo? Pra onde ia? - Do subúrbio pro porto, via Feira de São Joaquim!

No dia seguinte, da Calçada ao último destino lá fui eu, feliz da vida! Igual a como passando num subúrbio, eu muito bem, vindo de trem de algum lugar... Viva o Chico! As casas simples com cadeiras na calçada... Tudo, tudo ali. Meu sonho se concretizou. Não perdi aquele trem!

Viajei outras vezes pra ver mais, além das paisagens. Chamou-me a atenção os escritos nas paredes dos vagões. Nomes e datas descortinavam a vida daquela gente.

Pra minha surpresa, muito tempo depois, já como professor, conheci a dona de um dos escritos. Alguém que, entre outras coisas (lícitas!), também comemorava os aniversários no trem. Estou falando de uma professora chamada Dayse, do Colégio 7 de Setembro, no subúrbio. (Cris a conhece). Quanta história de trem essa moça tem pra contar!...

Cris e Claudia, muuuuuuuito obrigado. Vocês me levaram de volta pra lá!

Abração,

MAIS DE GERALDO:
Petnografia
Homo Audiovisualis
V Semcine
Inspirado pelo Bahia Assim
A quem interessar possa
Gravação de Anônimos: O sorriso de Seu Antônio (txt + vídeo)
Fé Cênica, making of (vídeo)
Curso de apresentação para tv (vídeo)
Pré-produção em Ilha de Maré (vídeo)
Participação no documentário OMNIBUS (vídeo)

GRAVAÇÃO DO "BAHIA ASSIM" 3

COMENTÁRIO I

Cris,

Você preferiu tomar emprestadas palavras ... eu lembrei de músicas que me aproximaram desta mesma estação. Lembrei de meu avô, pai de criação, um dos primeiros maquinistas da LESTE. Lembrei de como eu ficava nos vagões me sentindo em casa. Fazendo o percurso Calçada- Paripe e achando tudo isso o máximo. Lembrei do medo do túnel, lembrei das vezes que tive que abaixar para não receber dejetos e ri pra caramba com isso. Lembrei das vezes que tínhamos que correr dos guardas, porque estávamos atravessando o "buraco" da estação. Lembra Petno? Aposto que você deve ter feito isso também um milhão de vezes ... só para cortar caminho. Lembrei de seu Jonga, um ceguinho, que entrava sempre no trem pedindo uns trocados e fazendo sua "mode viola".
Pisar na água de São Tomé me lembra o final-de-semana quando a praia não é de longe o que foi ontem. Lembrei de mim mesma. Lembrei do meu passado ... e tive saudades.
Foram me chamar
Eu estou aqui, o que é que há
Eu estou aqui, o que é que há
Eu vim de lá, eu vim de lá pequenininho
Mas eu vim de lá pequenininho
Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho

Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho
Sempre fui obediente
Mas não pude resistir
Foi numa roda de samba
Que juntei-me aos bambas
Pra me distrair
Quando eu voltar na Bahia
Terei muito que contar
Ó padrinho não se zangue
Que eu nasci no samba
E não posso parar
Foram me chamar
Eu estou aqui, o que é que há
Claudia Pessoa.

MAIS DE CLAUDIA:
Nós Marcianos
Economia da Música
Vamos botar nosso bloco na rua?
Lançamento do Piloto
A Rosa
 
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